Rui Faustino em Portugal

Rui Faustino,  nasceu em 1975 no Algarve, Portugal. Toca bateria desde 1990. Em 1994 começou a sua formação académica. Estudou percussão clássica na E.P.M.Espinho e bateria Jazz em Lisboa no HCP. Também passou pela HfM Hans Eisler e pela UdK em Berlim.
Desde 2000 vive entre Lisboa e Berlim e trabalha com músicos radicados em ambos os países. Além dos concertos, Rui Faustino também fez música para teatro, dança, circo e filmes de animação.

Ele estará em Portugal no mês de Julho para dois concertos, dia 13 no Bicarte e dia 14 no Catacumbas em Lisboa, com o seu projecto FOR UNACCOMPANIED DRUMS

For Unaccompanied Drums é o projecto solo do baterista Rui Faustino. Muitos instrumentistas, ao passarem do universo da música clássica para o jazz podem contar com o trabalho até aí desenvolvido como uma plataforma de maior relevância. As coisas não são tão claras ou lineares para os percussionistas; a bateria é um instrumento que propõe desafios completamente novos. Este projecto incide sobre uma abordagem da bateria que estreita a sua relação com a percussão clássica e com formas contemporâneas de improvisação. Quem não tenha particular interesse nos habituais shows pirotécnicos na bateria, poderá ainda assim interessar-se por este instrumento, apresentado neste projecto sob um prisma muito pouco habitual.

Em Setembro, Rui Fasutino regressará a portugal com um outro projecto: F/R/E/N
“Patchwork” é o termo que o baterista português Rui Faustino utiliza para descrever a aventura decorrente da sua estadia em Berlim nos anos recentes. Num dos centros vívidos do novo jazz da Europa, Faustino tem estreitado laços duradouros com uma geração que é também a sua e compreende o jazz à sua maneira. A projecção do baterista em Portugal ocorreu na 6ª edição do “Jazz im Goethe-Garten” deste ano onde foi convidado a apresentar o seu projecto mais recente com músicos alemães oriundos da cena “free” berlinense: a saxofonista Silke Eberhard, o trompetista Nikolaus Neuser e o contrabaixista Jan Roder, este membro regular do Quarteto Monk’s Casino de Alexander von Schlippenbach. O concerto do quarteto no festival JiGG 2010 saldou-se tão positivo que desde logo se impôs uma fixação em disco. Este disco denominado 50, resultante não do concerto mas de uma sessão da mesma altura, retrata cabalmente um caso particular de emigração artística e vem dar relevo a um movimento intensificado de intercâmbio de músicos portugueses com outros músicos europeus. Rui Faustino homologa no disco cinco composições suas e quatro improvisações, onde, tanto a interacção musical como a excelência instrumental dos participantes são evidentes.
Este jazz não evoca direcções libertárias em paroxismo, antes é um percurso organizado de molde a contemplar individualmente cada orador fazendo com que todos brilhem e, mesmo evocando arquétipos, inscreve-se definitivamente numa sensibilidade moderna onde nada se deixa ao acaso. Um extraordinário mérito nos tempos que correm.
Texto de Rui Neves pela Baguera Brand.

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